31.10.07

A fantástica história das lembramças de uma casa, que viraram um homem, que inventou a sí prórprio e transformou-se em amor

Procuro no quarto vazio a presença de agora,
mas vejo através do espelho que ela fugiu.
E peço que abram-se as celas e que vá-se embora,
o medo de se conhecer a quem nunca existiu.

Percebo que voltam felizes os seres estranhos,
pro quarto tranquilo e pacato da casa de infância.
Mas nem me preparo pro ato confuso tamanho,
que fogem de novo de mim e me roubam criança.

Só quero encontrar todos eles, mostrar que eu viví,
dizer as verdades, mentiras, que eu sei não se diz.
Porém me questiono e confuso não sei se existí,
Começo a pensar que o meu “eu”, fui eu mesmo que fiz.

Questiono o vazio do meu quarto tentando me achar,
me torno um estranho pra mim e confuso que sei,
que o quarto é o reduto mais certo de se questionar,
e ter a certeza afinal que eu me auto-inventei.

De novo o estranho retorno dos seres de mim,
de novo ao quartinho apagado onde moro sozinho.
De novo à casa que habita um passado sem fim,
de novo a infância feliz onde guardo carinho.

Quem dera eu pudesse existir de verdade na casa,
saber de verdade do quarto, o caminho a traçar.
Pois seu me tornasse de carne de fogo e de brasa,
abriria a porta do quarto pra te ver entrar.

Que quase já posso sentir esse amor que me queima.
Faria de tí meu calor pra queimar as lembraças.
Já sinto-me fogo de amor que tão forte em mim reina,
queimaria esta casa tão velha onde fomos crianças.

26.10.07

musa amarga

Mais do que fazer cócegas no meu próprio ego, eu escrevo para cometer o ato da luxúria através de tí. Pois quando escrevo é em tí que me inspiro, é para tí que me rasgo em elogios, é teu senso crítico que imagino lendo minhas palavras e decido por esta ou aquela mudança. "Tomara que isso não fique uma bosta" - penso.

Mesmo quando elogio a vida, elogio os outros, elogio eu mesmo e enalteço minhas próprias qualidades, é a tua silhueta que a minha caneta contorna com sílabas minunciosas para desenhar no papel com as palavras mais bonitas que eu encontrar, essa tua cara amarrada, essas suas olheiras de dar pena. O Mundo Inteiro É Você.

Pois não me venha com essa de esquivar-se de mim, de fugir de ser meu alvo de fugir de ser meu ponto de chegada e de partida. Porque antes de partir, eu chego. Porque antes disso chegar eu parto tua cara se continuares a me esnobar. Te retalho e transformo-te em poema para te achar linda novamente.

"Tomara que isso não fique uma bosta" - penso. Não vou mudar. Pois dessa vez decidi te amar brutalmente. Texto Bruto. Bruto como eu que te como e te mato com estas palavras agressivas. Que teu senso crítico é forte mas eu sou mais. Tenho músculos para suprimir sua desaprovação.

"Jornalista medíocre" (...) "Sois um jornalista medíocre" - penso. Medíocre que sou, apenas agradeço essa situação por ter te conhecido. "Tomara que isso não fique uma bosta" - penso. E vou lamber o santo selo para lhe mandar meu novo desenho, brutalmente concebido por você, que me inspira.

14.10.07

I

É quando lembramos na hora perdida:

Entoando canções de dias gloriosos,
perdidos no mel d'alva candura
donde calibra-se o peito de amor,
e mata-se bem o terror e a paúra.

Colhemos os frutos mais saborosos,
deleite da hora, branca lisura
da terra selvagem do pólen olor,
que sopra do vento, que a vida mensura.

II

É quando pensamos saber que voamos:

Eis que resurgem os seres maldosos
e perco meu viço de fruta madura,
e perco meu som, tintilar meu rubor
enquanto se esvaem: cavaleiro e armadura

E mata-me os calos maravilhosos,
qual merecemos d'ausência ternura
e tanto me agride me enche de dor,
e me dilacera e consome minha cura.

Que somos efêremos, fulgazes rapazes,
que somos sem gênero, número ou cor.
Repete-se em mim os vazios vorazes,
é quando do parto me parte o furor.

III

É quando voamos realmente:

Mas sobra-me ainda a lembrança pacata,
dos dias de glória, criança inexata
que busca seus frutos por onde pisamos,
encontra os prazeres que tanto amamos.

Da hora que perde meu filho seu manto,
é a hora que sobra-me frio e alento .
Pois quando a lembrança a mercê do meu pranto,
redobra-se em vezes. Mil vezes tormento.

Mas sobra-me o bem, o fascínio, a pureza
A inteligência do Chico a grandeza
A simplicidade do gesto indigesto
Revela feliz a grandeza do resto.

IV

É quando de cima das nuvens gritamos:

Calibra teu peito que eu calibro o meu
É teu por direito vertiginoso apogeu
E sobra alegria, bagunça abafada,
que da fantasia a perene risada

Da tua alma e da alma de todos nós.
Por que é triste. Simplismente por isso... e porque nos ensina.

... Fique com Deuz, e descanse em paz ...

9.10.07

Reformulei meu modo de pensar
agora penso um mais dois,
vou indo de par em par combinando o feijão com [...].
Os estivadores do cais também podem estranhar
pois cobraram caro seus calos e depois
lhe disseram que era mole o trabalho do chão.