Procuro no quarto vazio a presença de agora,
mas vejo através do espelho que ela fugiu.
E peço que abram-se as celas e que vá-se embora,
o medo de se conhecer a quem nunca existiu.
Percebo que voltam felizes os seres estranhos,
pro quarto tranquilo e pacato da casa de infância.
Mas nem me preparo pro ato confuso tamanho,
que fogem de novo de mim e me roubam criança.
Só quero encontrar todos eles, mostrar que eu viví,
dizer as verdades, mentiras, que eu sei não se diz.
Porém me questiono e confuso não sei se existí,
Começo a pensar que o meu “eu”, fui eu mesmo que fiz.
Questiono o vazio do meu quarto tentando me achar,
me torno um estranho pra mim e confuso que sei,
que o quarto é o reduto mais certo de se questionar,
e ter a certeza afinal que eu me auto-inventei.
De novo o estranho retorno dos seres de mim,
de novo ao quartinho apagado onde moro sozinho.
De novo à casa que habita um passado sem fim,
de novo a infância feliz onde guardo carinho.
Quem dera eu pudesse existir de verdade na casa,
saber de verdade do quarto, o caminho a traçar.
Pois seu me tornasse de carne de fogo e de brasa,
abriria a porta do quarto pra te ver entrar.
Que quase já posso sentir esse amor que me queima.
Faria de tí meu calor pra queimar as lembraças.
Já sinto-me fogo de amor que tão forte em mim reina,
queimaria esta casa tão velha onde fomos crianças.
palavras contraditas
Há uma semana
