26.10.07

musa amarga

Mais do que fazer cócegas no meu próprio ego, eu escrevo para cometer o ato da luxúria através de tí. Pois quando escrevo é em tí que me inspiro, é para tí que me rasgo em elogios, é teu senso crítico que imagino lendo minhas palavras e decido por esta ou aquela mudança. "Tomara que isso não fique uma bosta" - penso.

Mesmo quando elogio a vida, elogio os outros, elogio eu mesmo e enalteço minhas próprias qualidades, é a tua silhueta que a minha caneta contorna com sílabas minunciosas para desenhar no papel com as palavras mais bonitas que eu encontrar, essa tua cara amarrada, essas suas olheiras de dar pena. O Mundo Inteiro É Você.

Pois não me venha com essa de esquivar-se de mim, de fugir de ser meu alvo de fugir de ser meu ponto de chegada e de partida. Porque antes de partir, eu chego. Porque antes disso chegar eu parto tua cara se continuares a me esnobar. Te retalho e transformo-te em poema para te achar linda novamente.

"Tomara que isso não fique uma bosta" - penso. Não vou mudar. Pois dessa vez decidi te amar brutalmente. Texto Bruto. Bruto como eu que te como e te mato com estas palavras agressivas. Que teu senso crítico é forte mas eu sou mais. Tenho músculos para suprimir sua desaprovação.

"Jornalista medíocre" (...) "Sois um jornalista medíocre" - penso. Medíocre que sou, apenas agradeço essa situação por ter te conhecido. "Tomara que isso não fique uma bosta" - penso. E vou lamber o santo selo para lhe mandar meu novo desenho, brutalmente concebido por você, que me inspira.

Nenhum comentário: