20.3.08

Livres Campos

Pesa
no meu crânio
a rotina parnasiana


de ser rico
de ser feliz
de ser amado


e tombam minhas
pálpebras à beleza
do ser concreto.


Se me resgatam à
margem de minhas
aspirações,


que sou
mesmo
afortunado e
insensato.


Planto meu discurso:
sois assim como eu,
desesperadamente cru.


Temerário,
sois branco e santo.
Minha conjugação de fé.


É oportuno meu amor
meu gozo
meu júbilo.

11.3.08

primeiro tratamento

lânguida
máquina mórbida,

meu papel
meu papiro
meu crivo

tecla do fim
da discórdia,

meu cordel
de mentiras
que eu crio

10.3.08

Ano Luz

Habitamos
o sistema solar

de cabeças planetárias
flutuantes.

Vão contando os
cometas de ninar,

constelando-nos em
pontos brilhantes.

Nossas rotas vão
cruzadas no ar,

nossas forças
repelindo-nos distante.

Vai no céu
a caminho de amar

meu rastro de fogo
errante.

Cai em mim
estrelinha do mar

que é cadente nosso
amor infante.

3.3.08

Yolanda II





Me privo da verdade, enquanto aceito a culpa por ser mais burro que o necessário.

Murmúrio de fé *** [ alegoria escravagista ]***




Na senzala o

tempo santo

corre em vil
melancolia,

faz o tronco
seu intento

sufocar
a rebeldia,

que obriga o
desencanto

com o raiar
de um novo dia,

acordar do
teu alento

e parir morta
a alegria.

Dilacera o
o rouco canto

rompe curdo
em agonia

quando cantam
no teu dorso,

as chibatas
da alforria.