22.8.08

Sepulcro de Amor

Esconde a tua cara embriagada,
e desobrigada
me tira do peito essa lança,
e descansa
do mau do meu corpo,
já morto,
que te impede a fuga covarde,
que invade
teu espúrio sentido de ser,
ao saber:

sou o fim do teu amor
como é lindo seu terror

Apaga de vez da memória,
a história
dos resquícios de vida que abrigo,
comigo
de quando vivemos felizes,
se dizes
que foram sofridos, em vão,
e não
destrói meu discurso a contento
se tento,

dizer não senti, se morri
viver só pra ti, não vivi

É o fim do meu lado,
assombrado
é o começo de tudo,
me iludo
pensando em te ter,
pra poder
com ódio em ti me vingar,
te matar
te amar
te roer

4.8.08

Para Serafina. A puta santa que mais amei.

Te aperto os mamilos para teu [de]leite

e borrifo meu gozo, meu soro: "aceite!",

te casto, te santifico, somos um par,

no sagrado [onde estamos] lugar de rezar.

Te cubro de dores prazeres e pontas,

me cobras sem dedos. Dizeis “a quantas?”

Devolvo o insulto e pergunto: “estás pronta?”

recebo teus olhos com espanto. “É santa!”

Enquanto te como, não gritas

“Mantenha-se no seu lugar

que dentre as putas mais bonitas,

é a única puta que não sabe cantar”

e seguimos em silencio e em paz... como em um altar.