Controle de erradicação dos seres humanos:
A FUGA DO DOENTE MENTAL
Ando outra vez por saber que sem andar não teria onde ir. Não tenho onde ir. Não importa, a caminhada me acalma e quando agora já não quero mais agredir-me. Ando mesmo sabendo que voltarei de novo ao ponto em que estava, em que era sofrido e doído respirar. Quando então respirava (mesmo assim) e alimentava-me da dor e da vontade de um dia andar outra vez. Vez agora é que andando sinto outrem que não este, o sentimento de parar. Respiro sem dor e faminto ando com os mesmos pés, no mesmo caminho, pro mesmo não-destino. Sei da falta de mim e pouco importa saber. Que há o vício da dor pungente.
Estou às voltas com o calabouço e ando em círculos para articular meus passos, sincronizar a andança e ver que é célebre o momento de parar. Fagulha. Lambeu minhas pernas que verteram sangue. Ando já com dificuldades e pausado o tempo recobro meus poderes de homem, de andar. Fagulha. Meu temporizador dispara e volto à caminhada com o cérebro penetrado e dificultando o andar encontro finalmente o prazer do não vê-lo torto. Ando agora como um cachorro sarnento, magro e feliz quando finalmente a. Fagulha. É o desesperado ato que encerrará meu passeio. Prostrado ainda tenho dedos e mãos pois é deles – percebo – o punho fechado que me sustentará. Ando então noutra modalidade. Com mãos ganho pouco terreno e ausência de sentido qualquer me toma, recobro-me à consciência do mundo. Fagulha. Fagulha. Fagulha. Há ainda, alguns loucos que julgam-me, chamam-me doente mental. Logo eu? Bem sei...
palavras contraditas
Há uma semana
