Trinta por cento de mim decerto deriva de algum sítio arqueológico antigo. Sou mais antigo que novo. Outra vez sou povo e o resto de mim, outra vez Serafim.
Trinta por cento de mim é frio. Sou mais quente e ardo em morte. Sou ardente sem sorte. Evapora minha alma, minhas veias, meus cabelos, meus filhos.
Trinta por cento de mim é triste. Agarram-se as desgraças na felicidade caldo ralo. Serafim consome-se auto. Pobre serei? Sobreviverei.
Sou falácia Serafim. Trinta por cento de mim não sustenta-se.
Trinta por cento de mim é secura e dureza. Não tem água e beleza nem sentido do só. Sou só e pó. Sou nó da trigueira e riacho de beira que chora de mim por ser tão Serafim.
Ser tão Serafim me deixa cansado. Trinta por cento de mim é Sertão. Será a loucura do que é seco? Reparei apenas o caldo ralo e tive outra vez o fim. Será o fim?
Sertão Serafim agoniza a morte dos seus, impede a cura arrebatadora da fome, consome as formas de vida do homem. E vomita os ossos.
Sou mesmo, por decerto, apenas trinta por cento sítio arqueológico. Cemitério da vida outrora banida. Agora compreendo mais que antes. Que assim serei.
palavras contraditas
Há uma semana

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