28.7.08

imerso, imenso.

Meu barco comigo dentro, com minhas coisas e meus bagulhos. Em mim, seu contentamento com meu silêncio, com meus barulhos. As ondas comigo em cima do barco com minhas mágoas, destroem o que não se firma no sacolejar das águas. Meu remo descontrolado sem rumo nem direção se perde no emaranhado da tormenta do meu coração. Navega sem nunca chegar com velas a meio pano onde antes deveria soprar um afago de vento insano. Guiando-me pelas estrelas descubro-te constelação e perdido sem nunca tê-las vou aprendendo minha lição, é que vou à deriva da realidade, navegante da imaginação.


Imagino a foz que deságua no meu cubículo apertado. Imagino as estrelas que não reconheço sem sequer ter-me consternado. Sou urbano. Imagino as praias, a costa e com minhas costas na sacada ao relento, imagino também o vento. Sou insano? Ele que deveria soprar e a vela imaginária que não inflaria para o barco fazer navegar. Simulo meu possível lamento. Que falta me faria o tal vento. Penso em alternativas imaginárias, tento.


Passo então à dureza das coisas concretas. Penso então na beleza das coisas discretas. Sei que vais noutro plano, então mudo meu interlocutor. Passo de imaginativo a insano, à deriva do teu amor.


É que te imagino outra coisa. Outra altura, outra alvura, outra pele, outros lábios. As pernas as mesmas. As idéias e certezas, essas sim, mudam com a frieza de quem não perderia tempo, de quem não embarcaria a contento, de quem não partilharia a falta do vento, (que não existe) de um imaginário agora triste, que agora sofre ao se meter na embarcação. Sofre, pela falta de tripulação.


Vou então eu, num plano diferente do teu. Solitário com meus fiéis de brincadeira. Não importa a física nem a madeira. Vou feito fumaça, vapor. Não me corrói a ausência de tê-la, apenas me distrai, apenas um pouco de mim se vai com furor. O mais importante, é claro, fica! Pra alimentar aquilo que me navega, aquilo que em mim se entrega à vontade que nunca sana, à vontade que é minha gana. Tenho gana de seguir adiante, comigo dentro, com minhas coisas e meus bagulhos. Tenho gana de seguir adiante, à fundo, sempre fundo nos meus mergulhos.

22.7.08

Anônimos

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Anônimos prazeres se anulam

no correr do dia que se esvai sem

ou nem perceber-se. Prazeres.

Anônimos entoam seus cantos aos

prantos, enquanto diluem-se em

meio às perfeições das vidas. Vazias.

Anônimos declaram-se, deparam-se

com outros anônimos no correr

dos dias seus e dos outros. Poucos.

Anônimos aqueles que sabem-se e

fazem-se de toda forma e qualquer

forma que assumam. Somem.

E só resta o homem.
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alguém me pesque!
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[passei por Júlio, como a mim mesmo. Era Pedro, mas Júlio se foi]
[não é nornal não é normal não é normal não é normal não é normal]
[joão baroni como Júlio como Pedro como Isac]
[passei por Júlio como a mim mesmo]
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Yolanda, estranha.

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Entortei-me no teu andar e andei

contigo pelas redondezas.

Miramos sal, crianças e estranhezas que

não calhamos reconhecer.

Era sempre o instinto do resistir. Estranhei.
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21.7.08

todo o perigo do coração do cão
esconde-se comigo, com o próprio cão
palpita em zelo sem pelo o jargão
do convívio constante perigo do ‘não’
que antes de tê-lo sabias em vão
pois já palpitava em mim coração
e todo o sentido convive comigo
periga o canino a ladrar ao irmão
e torna-se grande o perigo do tê-lo
que cresce a ameaça pulsante de vê-lo
e fica tão grande provoca aversão
maior até mesmo que o medo do cão.

Eu, palhaço (e o picadeiro ausente)

Sou papel enfurecido qual sofrido meu sorrir,
meu estômago corroído não revela meu sentir.

É o leão que te tolera ser o inverso do animal
e açoitar tua própria fera. Casto instinto visceral.

Vem o monstro vem o grito. Reconheces sua história?
Via o macaco bem mais aflito, da mulher tornar-se escória.

A vertigem globo mundo. De vertigem, vil viagem
que te risca a ir mais fundo buscando a glória da passagem.

Até os que voam céu acima, vendem caro suas almas
enfrentariam a estriquinina, pela doce carícia das palmas.

Respeitável minha trupe, não o mundo de sorrir,
respeitável minha ilustre brincadeira de fingir.