14.10.07

II

É quando pensamos saber que voamos:

Eis que resurgem os seres maldosos
e perco meu viço de fruta madura,
e perco meu som, tintilar meu rubor
enquanto se esvaem: cavaleiro e armadura

E mata-me os calos maravilhosos,
qual merecemos d'ausência ternura
e tanto me agride me enche de dor,
e me dilacera e consome minha cura.

Que somos efêremos, fulgazes rapazes,
que somos sem gênero, número ou cor.
Repete-se em mim os vazios vorazes,
é quando do parto me parte o furor.

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