13.12.07

Em tudo há da coisa o seu contrário

Quisera eu matar-te de prazer,
enquanto feliz me agradecia.
Negava algoz o teu viver,
que de tristeza eu padecia.

Em tudo há da coisa o seu contrário,
que equilibra a diferença do igual.
Em tudo há o contraponto portuário,
que nivela o incomum e o banal.

Há o irmão valente e viril,
que infeliz carrega covardia.
Vendo o caçula fraco no covil,
alegremente mostrar valentia.

Em tudo há da coisa o seu contrário,
que equilibra a diferença do igual.
Faz nascer um saber arbitrário,
pra liberar a ignorância do boçal.

Há do descarado o frouxo riso,
que vai revelar gloriosa vitória.
Virá do tímido a queda ao piso,
escondida pela carranca notória.

Em tudo há da coisa o seu contrário,
que equilibra a diferença do igual.
Há em tudo natureza e há cenário,
que distingue o homem do animal.

Pra encerrar há o princípio do amor,
que começa pra findar a solidão.
Desfazendo a finalidade do ódio,
principiando a perfeita comunhão.

Pois em tudo há da coisa o seu contrário,
que equilibra a diferença do igual.
Há em tudo um real imaginário,
pra tornar o corriqueiro especial.

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